21 de dezembro de 2017 às 18:14

A competição evangélica

As ações são tomadas baseadas na necessidade e consumo

Cada dia se toma novas ações para o crescimento das igrejas. Mídia digital, evangelismos criativos, culto do amigo, células com muita comida, dança, show, festas; tudo isso dentro das igrejas com o objetivo de crescer, prosperar, expandir. É preciso ações que atraem os “consumidores” para que os templos continuem cheios.

É preciso entender que a ação às vezes pode ser uma droga alucinante. Droga, porque é viciante e causa dependência, e se tem algo que sempre fazemos e não deixamos de fazer é “agir” – tomar decisões. Mas droga também no sentido de que é degradante (prejudica o corpo), em nosso caso, o espírito. Precisamos entender que ações, por mais bem intencionadas que sejam, podem ser destrutivas para a Igreja se não estiverem baseadas na essência do cristianismo.

Estamos num tempo em que a comunidade evangélica tem diversas denominações, cada pastor pensa de um modo e cada ministério tem sua visão. O líder pensa diferente do pastor, que pensa diferente da Igreja sede da qual pastoreia. O crente que tem o coração batista congrega na Presbiteriana, o calvinista quer doutrinar na Assembleia de Deus e o assembleiano quer abrir uma pequena igreja em outro bairro. Existe uma confusão de doutrina, de visão e práticas nas igrejas evangélicas brasileiras.

Na verdade, cada um tem sua opinião ou sua “revelação”. Como cada indivíduo tem livre acesso ao Pai, pensa-se que qualquer um tem o chamado para “comandar”. Todo mundo quer pastorear, ainda que não seja uma igreja o sujeito tentará pastorear um grupinho de irmãos, amigos ou discípulos, para palpitar sobre a Bíblia e divulgar seus requisitos.

Vivemos uma competição. Uma Igreja vai agindo aqui, outra tomando suas decisões acolá. As ações são tomadas baseadas na necessidade e consumo. Pensa-se no aumento de dizimistas, construção de um novo templo, vanglória da liderança, exibição, demonstração de poder. Não entendem que agir sem sentido é a droga que destrói a fé cristã.

O problema não são os métodos ou estratégias em si, mas a falta de sentido para tomar essas decisões. Ações e mais ações que se que buscam crescer a qualquer custo, enrriquecer a Igreja e os fiéis ou impedir que os crentes passem pelas “provações” da vida são ações sem sentido, uma droga degradante que adoece a fé cristã.

A essência do cristianismo precisa ser o sentido geral da Igreja. A fé cristã precisa enxergar o Cristo, sua Palavra e a própria história da Igreja (onde podemos ver os erros e acertos) para tomar as decisões. Se for assim, teremos uma Igreja sadia e fortalecida.

Se nosso sentido estiver errado, tomaremos mais e mais ações e nos iludiremos com nosso próprio mundo. Mas se nossas práticas estiverem baseadas na essência do cristianismo (amor do próprio Cristo), então ainda que o gesto seja simples o significado será grandioso.

Fonte: GospelPrime

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