23 de outubro de 2017 às 11:00

Precisamos nos levantar contra a hegemonia evolucionista nas escolas, diz Rodrigo Silva

Para o arqueólogo, atualmente há a necessidade de pessoas - como Lutero ou Martin Luther King ? que liderem a luta contra a massificação do conceito evolucionista.

Uma mente inquieta. É como se define o atualmente mais conhecido arqueólogo brasileiro, Rodrigo Pereira Silva, cujos títulos e diplomas não são menos numerosos do que os países que já visitou, muitos deles em escavações arqueológicas. Da busca por questionar fatos e acontecimentos veio a procura constante por conhecimentos, o que acabou na paixão pela área acadêmica e pela Bíblia. “Minha busca tremenda por Deus encontrou muitas respostas na Bíblia, cujos fatos estão sustentados pelo nosso mundo ao redor.”

A partir de hoje, o Gospel Prime publicará semanalmente uma série de entrevistas realizadas no Centro Universitário Adventista de São Paulo (Unasp). Acompanhe a entrevista exclusiva dada ao portal pelo Dr. Rodrigo Silva:

Gospel Prime: Apesar de termos uma fé racional, em que os fatos bíblicos podem ser efetivamente explicados por meio de um encadeamento e um raciocínio lógico, por outro lado a ciência que fala, por exemplo, na teoria da evolução também possui sua lógica interna. Os dois necessitam da fé para existir?

Rodrigo Silva: A fé não é um sentimento intelectual exclusivo do crente. Para nós, os crentes, o que nos diferencia é o objeto da nossa crença, mas mesmo o mais acirrado ateu ou cético materialista é crente. Só que com o passar do tempo a palavra às vezes sofre alguma semântica e entendemos como crente apenas aquele que tem uma religião ou que vai para uma igreja ou crê em Deus. Mas eu repito: crença é um sentimento humano. A necessidade de crer é tão humana que deveria constar na pirâmide de Maslow.

Quando eu digo: leve um guarda-chuva pois a previsão meteorológica diz que vai chover, estou manifestando uma crença. Muitos arqueólogos por exemplo, mencionam uma data para as muralhas de Jericó, mas não fizeram estudo específico com o material, e sim, citam algum outro estudioso ou alguma pesquisa anterior.

Se eu leio um artigo de pesquisa científica de um colega, e utilizo as conclusões que ele chegou para citar em sala de aula, eu posso fazer, mas eu mesmo não fiz aquela pesquisa. É uma fé. E se ele mentiu naquela pesquisa, compreende? Realmente então todo mundo precisa de fé pois, é justamente aquilo que me ajuda alcançar o invisível, aquilo que eu ainda não tenho todas as informações. Então todo mundo precisa crer em alguma coisa. O que vai diferenciar é o objeto da fé e se essa fé é racional ou ilusória.

Uma outra questão é sobre os ancestrais humanos. Os ossos encontrados atribuídos a ancestrais humanos, como o Homem de Neandertal, o Homem de Java e o Pitecantropos Eretus, foram provados fraudes, pois nem sempre eram ossos humanos, mas sim de símios e ossos aleatórios encontrados e que foram atribuídos a um ancestral. Apesar desses desmentidos, esses “elos perdidos” são usados até hoje em livros didáticos como provas cabais da evolução e da nossa descendência dos macacos. Por que isso acontece?

Na verdade, existem duas teorias evolucionistas: aquela que circula na academia e a outra que é conhecida do grande público. A da academia é uma briga interna que não tem fim. De fora, vemos só o que tem em comum: são evolucionistas. Vou dar um exemplo: a Luzia, que é considerado um dos mais antigos ancestrais encontrado na cidade de Lagoa Santa, em Minas Gerais pelo paleontólogo Peter Lund, já teve inúmeras propostas de datação, como 25 mil anos atrás, 250 mil anos, as mais disparatadas possíveis.

A época que o ser humano chegou nas Américas eles mesmos não entram em acordo se foram 35 mil anos, 100 mil anos ou 50 mil anos. Essa cronologia pode parecer bobagem, mas dentro da teoria evolucionista ela é fundamental. Porque se você não se acerta com a cronologia você não pode colocar ali os cabides. O homem de Neandertal não é mais considerado o homo sapiens moderno, ele já saiu da linha genealógica.

Hoje existe a ideia que o ser humano começou com o Australopithecus que veio da África a partir da Lucy, mas outra corrente diz que não foi da África que o ser humano veio. Mesmo dentro do mundo acadêmico existem diversas correntes que criam uma verdadeira colcha de retalhos, cada uma diz uma coisa.

Agora quando sai do mundo acadêmico e entra no público em geral, a impressão que dá é que as ideias são muito bonitas e harmoniosas e que todo mundo que é acadêmico e cientista já chegou àquela conclusão pelos fatos que encontraram e que não há mais espaço para dúvidas. Essa teoria da evolução das espécies que os livros didáticos apresentam ou que a mídia e documentários apresentam é uma. Mas quando você analisa o embate interno, você vê que é uma briga muito grande. Então o evolucionismo tem uma fachada, mas existe outra realidade interna que é bem diferente.

Mas apesar dessas controvérsias, o evolucionismo ainda é dominante nas escolas…

Para mudar um paradigma não é fácil. Existe um orgulho humano na academia que é uma coisa muito séria. Quando eu sou um doutor em física e estou há anos ensinando em sala de aula e, por exemplo, surge uma corrente dizendo que a velocidade da luz mudou para 400 mil km/hora, o que eu vou fazer com os livros que escrevi, artigos que publiquei, os prêmios que eu ganhei, coisas que eu inferi a partir daquela constante e agora você diz que não é mais assim? As pessoas se sentem sem chão, e na verdade dá uma preguiça mental de mudar.

Na época dos pioneiros da ciência, Newton por exemplo, ela estava nas mãos de alguns poucos que de fato tinham que correr contra a maré. Eles não tinham muito recursos, e muitos morreram na pobreza, eram pessoas muito idealistas. Hoje existe um orgulho muito grande da academia, as pessoas se perguntam o que eu vou fazer com meu doutorado, meu título de PHD. Então isso tudo é querer mexer numa estrutura solidificada. Então hoje o que nós precisamos são de pessoas que tenham a coragem de Lutero, Martin Luther King para se levantar contra a massificação.

Lembre que a dificuldade que nós temos hoje de falar de design inteligente e de criacionismo no mundo acadêmico é a mesma dificuldade que Martin Luther King teve para falar dos direitos dos negros dentro de uma sociedade racista dentro do contexto americano a mesma dificuldade que Lutero teve para falar de reforma numa sociedade massificadamente católica.

A única diferença é que naquele tempo eles matavam. Hoje eles assassinam academicamente, não deixam quer um artigo seu seja publicado, tiram seu prestígio intelectual. Eles pensam: Eu não quero um cristão conservador com título de doutorado. Essa frase para mim soa muito análoga à frase dos anos 50 eu não quero um negro na academia. E hoje as pessoas querem a todo custo ser aceitas…

Atualmente vemos uma cada vez mais acirrada disputa entre evolucionistas e criacionistas, e mesmo os partidários do design inteligente pela primazia no ensino da origem do universo e da vida nas escolas e universidades. Por vezes, vemos que essa “guerra” por assim dizer, extrapola o campo da ciência, partindo para ofensas de todo tipo entre os partidários. Parece que há uma disputa pelas mentes dos jovens que cada uma dessas teorias pode cooptar. Formou-se uma espécie de fé cega entre os partidários de cada uma dessas teorias? O sr. vê a possibilidade de convivência harmoniosa entre essas correntes de pensamento?

Os críticos da teoria da evolução arvoram para si o título de cientistas. Mas eu pergunto: matemática e ciência é linguagem? psicologia é ciência ou só física e química são ciências? Então mesmo dentro do mundo acadêmico independente da discussão sobre criacionismo ou evolucionismo e design inteligente já existe uma guerra para saber quem na verdade está fazendo ciência. Posso considerar tudo científico?

Quem faz psicologia não vai trabalhar com o método laboratorial do físico porque o ser humano não é feito em laboratório e nesse caso não pode ser utilizado o método repetitivo. E aí o método que eu uso na psicologia pode ser considerado científico ou não? A história é ciência ou não? A história não é reproduzível, não é como um fenômeno físico que eu posso estudar em laboratório. Então o primeiro ponto é este: o que é ciência afinal de contas? Quem fica fora desse título? Existe realmente só um método científico? Ou existem métodos diversos em que cada um vale para uma área? O método laboratorial é o método científico mais aceito, mas a estatística que eu uso para uma pesquisa sociológica é um outro método legitimamente científico embora não tenha os mesmos padrões de Francis Bacon ou Stuart Mill.

Fonte: GospelPrime

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